Tava pra publicar isso faz tempo, mas sempre me esquecia de fazer a tradução. O Tucson Citizen, do estado americano do Arizona, encerrou suas atividades em papel e hoje conta apenas com seu website. O encerramento das atividades aconteceu por causa da - adivinhem - severa crise financeira internacional que afetou principalmente os Estados Unidos. Até o final do ano passado, mais de 100 jornais diários haviam terminado suas operações, e esse número continua crescendo.
Aqui no Brasil, os jornais diários, bem como a economia no geral, vêm mostrando certa resistência ao cenário carrancudo. No entanto, pelo menos uma grande vítima se registra: a Gazeta Mercantil, que deixou de circular ao final do mês passado.
Abaixo, vai uma carta aberta de Mark Evans, editor-chefe do Tucson Citizen, que manteve seu emprego, mas teve que dar adeus a vários de seus colegas que foram demitidos. A versão original da carta está em inglês nesta página. A tradução é minha.
Uma tristeza na redação
Eu não gosto de estar triste.
É uma droga.
Eu deveria estar feliz. Eu tenho um emprego. Ainda mais que 50 dos meus ex-colegas no Tucson Citizen não têm, e nem terão em breve, julgando pelos meus recentes esforços em [lhes] encontrar algum trabalho.
A economia é brutal. Eu quero que ela melhore rapidamente para que meus amigos possam encontrar trabalhos.
Mas isso é poliana*
Hoje, segunda-feira, estou sentado nessa imensa redação capaz de suportar 80 ou mais jornalistas ouvindo o eco da minha digitação. Não há mais agitação para apagá-lo como havia antes.
Sem risos, sem gritos, sem bate-papo, sem alguns a toa, sem o click click click de dúzias de repórteres digitando.
Só o silêncio, majoritariamente.
E isso é triste. Isso não é mais uma redação. É um depósito de mesas e computadores.
O Tucson Citizen fez uma vigília na noite de domingo num pub na quarta avenida. Quase todo mundo que costumava trabalhar aqui estava com suas esposas, parceiros, amigos e família. Eu fui com minha esposa e me senti terrivelmente na festa.
Ninguém me fez sentir dessa maneira, é claro, todos me saudavam e alguns estavam realmente felizes por mim.
Eu não sabia o que dizer. "Eu sinto sua dor" pareceria banal e dissimulado. Dizer "eu lamento" ficou velho rápidamente, então eu disse "Espero que as coisas melhorem para ti em breve."
Boa sorte? Eu não poderia dizer isso. O que a sorte tem a ver com isso/
Nada disso era nossa culpa.
Estes eram jornalistas que trabalhavam duro, que vinham aqui coletar e reportar os acontecimentos. Eles trabalhavam 60 horas por semana - mas anotavam apenas 40 em seus cartões de ponto - para assim contar aos cidadãos de Tucson o que acontecia na cidade. Repórteres cidadãos tentaram dar aos seus companheiros a informaçção que eles precisavam para tomar os rumos de suas vidas bem informados.
Eles o faziam porque amavam o que faziam, não porque era um emprego. Jornalismo é mais uma paixão que uma carreira. Aqueles sem uma chama flamejante devem ir embora logo e ir para relações públicas ou direito ou qualquer outra coisa.
Ou você ama esse trabalho ou vai fazer outra coisa. Não há meio-caminho.
Parado num canto do bar eu podia ver que o a chama ainda brilhava na maioria deles, corajosamente tremulava em outros.
Eu quero que eles encontrem outros empregos jornalísticos. Gostem ou não, não há democracia sem uma imprensa livre. Nossa sociedade, nossa cultura, nossas próprias vidas dependem dos jornalistas que coletam e reportam os fatos.
É minha grande esperança que este novo Tucson Citizen ascenda e seja a próxima grande coisa; um site que una o poder da comunidade e direcione essa energia rumo às melhorias de Tucson por meio do entendimento, perspectiva e tolerância.
Eu espero que meus ex-colegas que ainda tenham esse fogo usem-o para ingressar neste nova, desconstruída indústria de notícias - blogando as notícias, puxando os pés dos políticos para o calor, dando voz àqueles sem voz, confortando os aflitos e afligindo os confortados.
E fazendo isso, haverá um lugar a eles aqui, na sua antiga casa.
Deve haver uma maneira de ganhar alguns tostões no processo.
Talvez, isso também, seja poliana.
Talvez. Mas eu trabalharei mais duro nisso do que em qualquer coisa antes para fazer com que não seja.
Eu vou sentir a falta de cada um de vocês.
*poliana é uma palavra em inglês que descreve um positivismo exacerbado. O verbete se baseia no romance Pollyanna, onde a personagem-título sempre mantinha uma atitude otimista mesmo contra tudo e contra todos.
terça-feira, 16 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Tempo
Há um tempo, e ele já começou há algum tempo, onde se acabaram os velhos tempos. Acabou a esperança, acabaram seus amigos, acabaram os sábados a noite. Daqui a pouco tempo os teus pais também vão acabar e você vai se transformar num adulto completo, com os anseios e necessidades de um dos nossos tempos modernos e confusos.
Daí você acaba numa madrugada de sábado para domingo, olhando fotos de tempos que já se foram e só aí você se dá conta que já passou muito tempo desde que aquelas fotos foram batidas. Você se olha, olha pros outros e relembra trejeitos, frases, interações e sonhos que se perderam ao longo do tempo. E o pior é saber que esse tipo de coisa não volta. É quando você se dá conta que um capítulo da sua vida terminou e que ele não vai reabrir. As vezes, de tempos em tempos, essas imagens tentam voltar à realidade, mas estão longe de possuir o mesmo fulgor e brilho que tiveram um dia. A mesma alegria, a mesma sensação, a mesma palpabilidade não mais existem.
Dá nostalgia.
Não é que a vida tenha melhorado ou piorado, é que apenas o coração fica nostálgico ao olhar pra esses tempos e saber que ele não volta. A relatividade nos ensinou que talvez o tempo seja semelhante ao espaço, mas ainda não podemos trafegar para frente e para trás na mesma medida que fazemos com os lugares. Por isso que só nos resta lembrar. E ter saudade, esse sentimento tão lusófono e tão difuso, que a gente nem sabe descrever, só sentir.
É sempre mais escuro antes do amanhecer.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Clodovil Hernandes
Não tenho opinião formada sobre ele. O fato é que o deputado-costureiro morreu. E como esse comercial, que não foi ao ar, ficou bem legal, acho que vale colocá-lo por aqui. A lembrança do vídeo foi via @Castrezana.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Milton Neves
Esse rapaz é bem polêmico entre o meio jornalístico, mas é inegável que o maluco manja de se auto-promover.
Eu navego dois minutos numa página aleatória do site dele e encontro as duas imagens abaixo:


Tipo, o que uma marca de café e um CORTE DE CARNES tem a ver com o moço de Muzambinho? Eu não sei, mas ele conseguiu.
Eu navego dois minutos numa página aleatória do site dele e encontro as duas imagens abaixo:


Tipo, o que uma marca de café e um CORTE DE CARNES tem a ver com o moço de Muzambinho? Eu não sei, mas ele conseguiu.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Rádio-blog (2)
Esse é o segundo vídeo musical que eu posto aqui no blog. Assim como o primeiro é da trilha sonora de Carros, minha animação favorita. É uma canção bélissima, porém um pouco triste.
E sim, não é própriamente um vídeo porque só tem imagem estática do James Taylor, mas o que importa é a música.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Mandatos (2)
Trotes
Você sabe que eu sou chato. Eu não vou muito em festas, baladas e nunca fui numa cervejada da Metodista. Aliás, como bem diz a minha amiga Marina, se alguém peida já é motivo pra cervejada, se alguém tropeça já é motivo pra cervejada. Pode ser que eu não saiba mesmo o que eu estou perdendo, mas o fato é que eu sou um rabugento que só sai mesmo pra beber em bares e destruir os ouvidos alheios no karaokê da gloriosa Chopperia Intercontinental.
Isto posto, vamos ao que interessa.
Eu já ouvi pelo menos Globo, Band, Record, BandNews FM, Jovem Pan e até a ESPN Brasil fazendo quase que uma campanha contra os trotes universitários. E cito apenas os veículos que eu efetivamente vi comentando os fatos. Deve ter havido mais, muito mais.
É fato incontestável que queimaduras, esterco, animais mortos e atropelamentos não são nada interessantes. Ao contrário. São crimes. A humilhação deve estar bem longe das universidades.
Eu me lembro do meu trote. Não gostei pois fiquei de "bicho-sacola", ou seja, fiquei carregando uma saco preto cheio de sapatos de um monte de gente. Não recebi a interação e nem fiz amizades como havia sido prometido pois tive que carregar aquele maldito saco. Tanto não gostei que nem fui esse ano receber os bixos.
No entanto, eu não posso negar que a atmosfera não era nem de longe parecida com a zona de guerra que foi pintado por aí. Havia bebida? Sim. Havia. Mas em momento algum eu percebi ou ouvi falar de abusos. Pelo menos não na minha universidade e acredito que deva ser esse o caso em outras instituições. O trote é na maioria dos casos, não no meu, uma ferramenta que integra e aproxima os alunos de fato. E generalizar a situação é culpar um taco de beisebol por uma porrada na cabeça de alguém e não a pessoa que efetivamente bateu.
No mais fica esse texto do Blog dos Alunos da Metô que sintetiza bem essa situação.
Isto posto, vamos ao que interessa.
Eu já ouvi pelo menos Globo, Band, Record, BandNews FM, Jovem Pan e até a ESPN Brasil fazendo quase que uma campanha contra os trotes universitários. E cito apenas os veículos que eu efetivamente vi comentando os fatos. Deve ter havido mais, muito mais.
É fato incontestável que queimaduras, esterco, animais mortos e atropelamentos não são nada interessantes. Ao contrário. São crimes. A humilhação deve estar bem longe das universidades.
Eu me lembro do meu trote. Não gostei pois fiquei de "bicho-sacola", ou seja, fiquei carregando uma saco preto cheio de sapatos de um monte de gente. Não recebi a interação e nem fiz amizades como havia sido prometido pois tive que carregar aquele maldito saco. Tanto não gostei que nem fui esse ano receber os bixos.
No entanto, eu não posso negar que a atmosfera não era nem de longe parecida com a zona de guerra que foi pintado por aí. Havia bebida? Sim. Havia. Mas em momento algum eu percebi ou ouvi falar de abusos. Pelo menos não na minha universidade e acredito que deva ser esse o caso em outras instituições. O trote é na maioria dos casos, não no meu, uma ferramenta que integra e aproxima os alunos de fato. E generalizar a situação é culpar um taco de beisebol por uma porrada na cabeça de alguém e não a pessoa que efetivamente bateu.
No mais fica esse texto do Blog dos Alunos da Metô que sintetiza bem essa situação.
Assinar:
Postagens (Atom)
